Cativeiro
Ela me sufoca, me cala, me dopa.
Minhas mãos atadas no vazio da impotência assistem a tudo, perplexas.
Rolo compressor sobre minhas veias, vértebras de atitude dilacerando.
Não me reconheço. Ela me ocupa.
Não sou mais eu, ela em mim, eu outra.
Não vejo o tempo, engulo toneladas de acasos até não poder mais respirar.
Não penso, sigo obediente, zumbi de mim mesma.
E a que acredita, a que age, a que não aceita, a que, ao menos, grita?
Onde, onde está essa pessoa que costumava ser eu?
Tem alguém aí dentro?
s o c o r r o...

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