segunda-feira, 7 de junho de 2021

Cativeiro

 


Cativeiro

 

Ela me sufoca, me cala, me dopa.

Minhas mãos atadas no vazio da impotência assistem a tudo, perplexas.

Rolo compressor sobre minhas veias, vértebras de atitude dilacerando.

Não me reconheço. Ela me ocupa.

Não sou mais eu, ela em mim, eu outra.

Não vejo o tempo, engulo toneladas de acasos até não poder mais respirar.

Não penso, sigo obediente, zumbi de mim mesma.

E a que acredita, a que age, a que não aceita, a que, ao menos, grita?

Onde, onde está essa pessoa que costumava ser eu?

Tem alguém aí dentro?  

 s  o  c  o  r  r  o...

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