quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Eu li o livro da Letícia Artner, aluna de Letras da UNIP

 

A Canção do Luar: uma fantasia juvenil que conversa com os clássicos do cinema


 

          A trama acompanha uma menina pertencente a um povo mágico que vive em harmonia na floresta. Um dia, ela conhece um menino humano com quem inicia uma amizade secreta que, com os anos, vira amor. Esse homem, agora ganancioso por poder, irá trair a confiança dela e provocar um estrago em sua vida. Você já viu essa história?

               Acabo de ler A Canção do Luar, primeiro livro de Letícia Artner, lançado em 2024, dez anos depois do sucesso de Malévola. O paralelo com a heroína do cinema só torna a escrita de Letícia ainda mais desafiadora na busca por uma identidade própria — e a autora consegue alcançá-la. A força da imagem é obtida com detalhes bem pensados e descrições coloridas do ambiente, o que carrega o leitor para esse universo mágico, cheio de personagens fofos e bondosos. Mas é também com essa descrição eficiente que a autora consegue ser firme nos momentos de violência e dor.

               Na trama, acompanhamos o crescimento da pequena Magenta, uma Koohr destinada a liderar o povo Coração de Folha. Na adolescência, ela passa por um ritual para receber o seu "irmão de alma": Lazúli, o Filho da Lua. Ele é um Isthari, um ser com poder de comunicação telepática no qual Magenta poderá voar. Pensou em Avatar? A conversa com mais esse clássico do cinema dá certo charme a essa fantasia juvenil.

               É interessante também observar que a narrativa principal está mergulhada na tradição oral que compõe o prólogo e o epílogo. Bertha, identificada apenas como "uma senhora", irá confrontar a versão oficial (e tendenciosa) ensinada às crianças sobre a Antiga Guerra para recontar a verdadeira história de Magenta e Norwin, os principais envolvidos nessa trama. E assim o livro consegue, ao mesmo tempo, entreter, emocionar e provocar reflexões.

               Desejo muito sucesso à jovem Letícia Artner, afinal, é sempre positivo ter uma narrativa potente sobre o poder feminino escrita e assinada por uma mulher.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Eu também li o livro "Eu não roubei a sua vida", de Giovanna Pezzolato, aluna de Letras da UNIP.

Capa de terror, alma de policial: Uma resenha de Eu Não Roubei a Sua Vida                  Em seu novo romance, Giovanna Pezzolato entre...