quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Eu também li o livro "Eu não roubei a sua vida", de Giovanna Pezzolato, aluna de Letras da UNIP.

Capa de terror, alma de policial: Uma resenha de Eu Não Roubei a Sua Vida

 

               Em seu novo romance, Giovanna Pezzolato entrega uma boa história de suspense que prende o leitor do início ao fim.  A narrativa acompanha Maia, uma estudante de Cinema que, além de enfrentar as inseguranças típicas de sua idade, convive com o impacto de síndromes atípicas que lhe causam constantes desmaios.

               A jovem, ao começar um namoro com Rafael, um colega de faculdade, passa a ser atormentada pelo espírito de Ana, a ex-namorada do rapaz, desaparecida poucos meses antes. Esse contato sobrenatural fará com que Maia resgate a mediunidade que havia deixado no passado e a use como estratégia para investigar mistérios não resolvidos.

               O dilema de Maia, dividida entre o amor por Rafael e a perturbação causada pelo fantasma de Ana, cria uma tensão constante, mas os momentos de parceria com seu grande amigo Matheus ajudam a dar leveza à história. A escrita da autora é ágil, construída em capítulos curtos, o que funciona perfeitamente para segurar o leitor no suspense. Essa dinâmica nos instiga a buscar elementos escondidos para antecipar a resolução do problema, mas a narração consegue segurar bem essa surpresa.

               Outro trunfo do livro são as várias referências a produções cinematográficas clássicas, que dão um charme especial à obra, conectando o leitor ainda mais com o universo cult dos personagens. A autora também brinca de forma inteligente com o foco narrativo, intercalando pontos de vista e inclusive expondo o pensamento da personagem supostamente morta, o que enriquece muito a experiência e a nossa visão do mistério.

               De modo geral, a trama tem um tom muito mais policial que de terror (embora a ilustração da capa seja bem assustadora). O elemento sobrenatural serve como o motor do mistério, mas a condução da história foca na investigação, na alternância de perspectivas, nos segredos e na resolução do caso de forma criativa.

               Enfim, Eu Não Roubei a Sua Vida  vai sim roubar algumas horas da sua vida em troca de uma narrativa gostosa e envolvente. 


 

 

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